Síndrome do Pânico – por Vanessa Oliveira

Síndrome do Pânico 1. O que é Síndrome do Pânico? A síndrome do pânico é um tipo de transtorno de ansiedade no qual ocorrem crises inesperadas de desespero...

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Síndrome do Pânico

1. O que é Síndrome do Pânico? A síndrome do pânico é um tipo de transtorno de ansiedade no qual ocorrem crises inesperadas de desespero e medo intenso de que algo ruim aconteça, mesmo que não haja motivo algum para isso ou sinais de perigo iminente.

Quem sofre do Transtorno de Pânico sofre crises de medo agudo de modo recorrente e inesperado. Além disso, as crises são seguidas de preocupação persistente com a possibilidade de ter novos ataques e com as consequências desses ataques, seja dificultando a rotina do dia a dia, seja por medo de perder o controle, enlouquecer ou ter um ataque no coração.

2. Quais os sintomas?

Ataques de pânico característicos da síndrome geralmente acontecem de repente e sem aviso prévio, em qualquer período do dia e também em qualquer situação, como enquanto a pessoa está dirigindo, fazendo compras no shopping, em meio a uma reunião de trabalho ou até mesmo dormindo.

As crises de pânico geralmente manifestam os seguintes sintomas:

Sensação de perigo iminente, medo de perder o controle, palpitações, ritmo cardíaco acelerado, taquicardia, sudorese, tremores, formigamento nas mãos, pés ou no rosto, dificuldade para respirar, falta de ar e sufocamento, calafrios, náuseas, dores no peito e desconforto entre outros.

3. Quais os tratamentos?

O principal objetivo do tratamento da síndrome do pânico é reduzir o número de crises, assim como sua intensidade e recuperação mais rápida. As duas principais formas de tratamento para esse transtorno é por meio de psicoterapia e medicamentos. Ambos têm se mostrado bastante eficientes. Dependendo da gravidade, preferência e do histórico do paciente, o médico poderá optar por um deles

ou até mesmo por ambos, já que a combinação dos dois tipos de tratamento têm se mostrado ainda mais eficaz do que um ou outro operando isoladamente.

A psicoterapia é geralmente a primeira opção para o tratamento de síndrome do pânico. Existem diversas formas de psicoterapia, sendo a mais estudada e que comprovadamente tem efeitos benéficos nesse transtorno a chamada de Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). Ela poderá ajudar o paciente a entender os ataques de pânico, a como lidar com eles no momento em que acontecerem e como ter uma vida cotidiana normal sem medo de ter um novo ataque.

4. Outro dia estava no hospital e presenciei uma jovem sofrendo uma crise de pânico. Me choquei por nunca ter presenciado e pelo fato dela ser tão jovem. Na sua opinião porque os jovens estão tendo tantos quadros de depressão e síndrome do Pânico?

A ansiedade é caracterizada pela preocupação excessiva sobre possibilidades futuras: medo de errar, de se frustrar, da rejeição, da crítica e do que é imprevisível e incontrolável. O desconforto está diretamente ligado às emoções: medo, alegria e raiva podem deixar uma pessoa ansiosa em questão de segundos, especialmente se ela não souber lidar com os sentimentos.

Para evitar crises de ansiedade, é fundamental ter consciência de suas emoções e da maneira como elas interagem com seus pensamentos e comportamentos. O cérebro ativa a ansiedade quando surge uma situação de ameaça, funcionando como um mecanismo de proteção para situações que precisam de atenção ou cuidado.

5. O mundo atual (marcado por exemplo, pela percepção de violência e falta de segurança nos grandes centros urbanos) contribui para a produção social do pânico?

Sim, condições para adoecer a população desse modo não têm faltado no país, e algumas delas vêm de longa data, como desigualdade social e violência na infância. A atual crise financeira e os índices de violência nas grandes cidades também têm sido

considerados na avaliação de especialistas. Esses fatores se refletem na organização e na harmonia das famílias, gerando um ambiente favorável a esses transtornos, como preocupações constantes com a manutenção financeira e o medo frequente de ser vítima de assaltos, por exemplo.

6. Quais os gatilhos mais frequentes para as crises do transtorno de pânico? Porque uma pessoa passa 30 anos sem ter nada e um dia, por ter ficado dentro do elevador o quebrado, começa a manifestar o problema em situações que nada tem a ver com este fato?

O transtorno de pânico é uma doença que se manifesta especialmente em jovens e acomete mais as mulheres do que os homens. A maioria dos pacientes tem a primeira crise entre 15 e 20 anos desencadeada sem motivo aparente.

Com o passar do tempo, as crises vão se repetindo de maneira aleatória. Não prever quando podem surgir novamente gera uma ansiedade chamada de antecipatória. A pessoa fica preocupada com o fato de que os sintomas possam aparecer numa situação para a qual não encontre saída nem ajuda, como dentro de elevadores, metrô, aviões, salas de espera de médicos e dentistas, congestionamentos de trânsito. Se reagir de forma a evitar esses lugares a partir dessa experiência, desenvolverá uma segunda doença, a agorafobia, um quadro fóbico provocado pelo pânico não tratado, que se caracteriza por fugir de situações nas quais uma crise de pânico possa representar perigo, causar embaraço ou a sensação de estar presa numa armadilha. Geralmente os pacientes com pânico sofrem mais pela agorafobia do que pelo pânico em si. É o medo do medo.

7. Como a família deve ser portar-se diante de um portador do transtorno do pânico?

O papel da família nesse momento é de encorajar a pessoa em procurar um médico, seja ele um psiquiatra, psicólogo, ou outro profissional da área de saúde mental. Ressalto que isso deve ser feito o quanto antes se identifique o distúrbio. Acontece muito das pessoas não saber pelo que está passando, por isso ela depende da família e amigos a oriente a respeito do que vem acontecendo. A síndrome do pânico não é frescura, bobagem ou loucura. Nunca diga a uma pessoa que apresenta sintomas de pânico que ela não tem nada demais ou que é fraqueza dela. A síndrome do pânico é um problema real que deve ser levado a sério. É importante saber que a pessoa já sofre o bastante com os sintomas da doença, fazê-la se sentir fraca ou perturbada mentalmente é muito cruel e absolutamente desnecessário. A pessoa não é fraca nem covarde, apenas está doente e precisa de ajuda.

8. Qual conselho você daria para quem nos ouve agora e está passando por este momento difícil?

Procure ajuda o quanto antes aos profissionais de saúde mental, a síndrome do pânico não se trata de uma doença irreversível mas sim de um estado que se consegue alterar.