Fala muito honesta de Gisele sobre pânico esconde algo maior e importante a todos nós

Em uma conversa com Pedro Bial para o programa do apresentador na Rede Globo, Gisele Bündchen voltou a tocar em um assunto delicado que revelou recentemente em seu livro, “Aprendizados: Minha caminhada...

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Em uma conversa com Pedro Bial para o programa do apresentador na Rede Globo, Gisele Bündchen voltou a tocar em um assunto delicado que revelou recentemente em seu livro, “Aprendizados: Minha caminhada para uma vida com mais significado”. Questionada por Bial sobre o período em que viveu com crises de pânico, a modelo fez um desabafo que, apesar de forte, traz uma lição importante.

Quando uma pessoa como Gisele (que aos olhos do público tem uma vida perfeita, é linda, tem filhos lindos e um marido amoroso), revela sofrer com problemas como os ataques de pânico, isso pode ajudar milhares de pessoas que sofrem com a doença a entenderem que não existe vida perfeita, e que está tudo bem em se tratar.

Gisele Bündchen e Síndrome do Pânico

De acordo com a modelo, tudo começou com a dificuldade de estar em ambientes fechados. De início, essa dificuldade se manifestava em túneis e elevadores, e logo evoluiu para aviões e locais cujas janelas não podiam ser abertas. Em dado momento, porém, Gisele passou a se sentir mal dentro da própria casa.

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Conforme contou a modelo, a primeira vez que sentiu pânico em um ambiente tão familiar foi quando estava fazendo uma massagem com todas as janelas do apartamento abertas. “Falei: ‘Bom, agora tenho um problema sério porque não consigo respirar nem aqui’. Eu fui para a fora para respirar e nem lá eu conseguia, tentava respirar e não vinha o ar”, afirmou.

Como estava em uma varanda de frente para um rio e mesmo assim se sentia sufocada, Gisele cogitou tirar a própria vida. “Eu pensei: ‘E se eu pular? Vai tudo acabar, eu não preciso mais sofrer, não preciso mais viver com isso’”, desabafou a modelo, contando que esse pensamento despertou a necessidade de buscar ajuda profissional.

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Contrariada com a ideia de depender de um remédio para ficar bem, Gisele buscou a cura em métodos alternativos e acabou escolhendo a ioga. Conforme contou na entrevista, após três meses fazendo exercícios específicos para a respiração e meditando diariamente, as crises de pânico pararam e ela sentiu que deveria adotar um novo estilo de vida.

“Quando comecei a meditar, falei: ‘Nossa, óbvio que isso ia acontecer comigo, olha como eu vivia a minha vida!’”, disse a modelo, que, na época, ainda fumava e costumava consumir muito vinho diariamente.

Por que o desabafo da modelo é importante?

Apesar de sentir algo que descreveu como uma das piores experiências da vida, Gisele demorou para buscar ajuda especializada e disse que, na época, tinha dificuldades até de tocar no assunto com pessoas próximas por alguns motivos bem específicos.

“Eu sempre quis ser muito forte, não queria falar com meus pais ou com as pessoas. Eu achava que as pessoas olhavam para mim e achavam que eu tinha tudo resolvido na vida, que elas não iam entender”, comentou a modelo, que acredita ser muito difícil entender esse sofrimento sem ter de fato passado pela situação.

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O desabafo da modelo sobre as expectativas que recaem sobre ela devido à fama e ao sucesso profissional, porém, pode ser um pequeno passo para desconstruir a ideia de que o conteúdo mostrado por celebridades na internet é totalmente verdadeiro, de que elas têm vidas perfeitas, e, principalmente, de que essa “perfeição” é algo alcançável.

Conforme demonstrou uma pesquisa realizada pela Royal Society of Public Health (órgão de saúde pública do Reino Unido), que reuniu dados de inúmeros outros estudos para fazer um alerta, o “boom” das redes sociais afetou – e muito – a saúde mental dos jovens.

De acordo com a instituição, jovens que costumam passar mais de duas horas por dia em sites como Facebook, Twitter e Instagram têm mais chances de apresentar sintomas de ansiedade e depressão. Além dos dados coletados para o estudo, os próprios jovens ouvidos pelo órgão afirmam que se sentem mal em ver um fluxo tão grande de retratos de “cenas perfeitas”.

“Esses sentimentos podem promover uma atitude de ‘comparar e se desesperar’ em pessoas mais jovens. Os indivíduos podem ver fotos e vídeos muito ‘photoshopados’, editados ou encenados e compará-los à sua vida aparentemente mundana”, afirma o estudo, citando também distúrbios de sono e de autoimagem como problemas que podem ser desencadeados pelo uso desenfreado das redes sociais.

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Segundo Gisele, na época, nem ela sabia que era possível viver de outra forma. “Esse, que foi um dos maiores desafios da minha vida, me introduziu a uma outra vida que eu não tinha consciência, não sabia que existia essa possibilidade de viver uma vida com mais presença, realmente ser a capitã do meu barco”, disse a modelo, mostrando que pessoas famosas também são “gente como a gente” e que não existe a tal “perfeição” que tanto fantasiamos.