Construção civil vive maior inflação em 28 anos

Em maio, os produtos da construção civil atingiram o maior nível de inflação acumulada em 12 meses dos últimos 28 anos, segundo dados de um levantamento realizado pela...

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Em maio, os produtos da construção civil atingiram o maior nível de inflação acumulada em 12 meses dos últimos 28 anos, segundo dados de um levantamento realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), tendo por base o Índice Geral de Preços-10 (IGP-10). Em média, materiais e equipamentos para construção, sem frete e sem impostos, alcançaram um percentual de inflação de 38,66% em um ano. No mesmo período, a inflação de materiais, equipamentos e serviços dentro do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-10) cresceu 30,86%, também chegando ao seu pico.

 

De acordo com o diretor comercial da empresa de revestimentos sustentáveis Ecogranito, Renato Las Casas, existe uma série de fatores que impulsionou a elevação dos preços na construção civil. “Dentre eles estão o avanço rápido dos valores de commodities minerais e metálicas. Normalmente, estes insumos servem de matérias-primas para a fabricação de produtos do setor. Outras importantes ocorrências que contribuíram para o progresso da inflação no segmento foram o aumento da procura por projetos residenciais, a escalada do dólar, a alta nos valores de fretes e a majoração da complexidade em importar itens utilizados no setor para atender o mercado doméstico”, destaca.

Não é novidade para ninguém que a cotação dos materiais de construção vem subindo e continua bem alta desde 2020. “No entanto, é preciso ressaltar que a taxa de inflação registrada em 12 meses até maio deste ano chegou a superar os índices identificados anteriormente ao Plano Real, período que foi fortemente marcado pela hiperinflação. Por aí, já dá para se ter uma noção do tamanho do problema”, comenta.

 

Renato explica que a permanência do dólar em alta estimula o aumento dos preços de commodities de forma geral, pois os valores destes itens são determinados de acordo com a moeda americana.

“Desde o início da crise sanitária, o dólar tem se mantido valorizado em comparação com o real. Em 2021, a alta mais expressiva ocorreu em março, de 2,25%, para R$ 5,6386. Este cenário positivo para a moeda americana contribuiu para que duas importantes commodities muito usadas como matéria prima na construção civil sofressem significativas variações de preços. O minério de ferro, por exemplo, subiu 97,61% entre março de 2020 e maio deste ano. Já o cobre apresentou um aumento de 111% no mesmo período”, ressalta.

 

Para Renato, a inflação da construção civil em nosso país somente será controlada quando forem resolvidos 4 problemas: carência de matéria-prima, desorganização do comportamento de consumo, dólar alto e fretes dispendiosos.

“Os desafios são grandes e muito complicados, mas não existem outras alternativas. É preciso que os preços atinjam um equilíbrio para que o setor se mantenha em desenvolvimento, pois, caso contrário, lidaremos com muitos obstáculos pela frente. É importante lembrar que um frete nas alturas impacta diretamente nos valores de logística que, por sua vez, também afetam a cotação dos produtos. Tudo está interligado, então é essencial que medidas coordenadas sejam tomadas para que essa situação encontre um caminho. A inflação tem encarecido a construção de imóveis e feito com que diversas construtoras adiem seus lançamentos, não é possível seguir assim”, conclui.

Texto: André Manteufel