Quando devemos nos preocupar com o engasgo infantil?

Calma, papais! Conversamos com especialistas para explicar sobre como prevenir, o que fazer e quais são os riscos de quando uma criança engasga. Muitos pais ficaram estarrecidos com...

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Calma, papais! Conversamos com especialistas para explicar sobre como prevenir, o que fazer e quais são os riscos de quando uma criança engasga.

Muitos pais ficaram estarrecidos com um caso recente- divulgado por uma médica da ONG Global Child Forum – em que um garoto ficou paraplégico, após engasgar com um pedaço de maçã em uma creche na Nova Zelândia. O incidente aconteceu em maio de 2016 e, por causa do engasgo, Neihana Renataficou sem respirar e teve uma parada cardíaca. Isto levou a uma  paralisia cerebral, deixando a criança de 2 anos sem movimentos e incapaz de falar e engolir.

A história causou comoção e as dúvidas rotineiras acerca do assunto apareceram mais uma vez. Como agir quando acontece? Como evitar? Quais são os riscos? Entre tantas perguntas, alguns mitos sempre voltam. Para esclarecer estas questões e orientar os pais, conversamos com a pediatra e peonatologista do Hapvida Saúde, Dra. Ana Larissa, e com o Dr. Aderbal Tadeu Mariotti, médico pediatra e membro da diretoria de regionais da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

Mas existe uma maneira de evitar?

Uma das grandes discussões é sobre os riscos de oferecer alguns alimentos que são mais fáceis levar a criança a se engasgar, como no caso do pedaço de maçã, azeitonas, uvas e pipoca – sim, os pais devem ficar atentos com essas opções consideradas perigosas, por suas texturas e formatos.

Desde os 6 meses, quando inicia-se o processo de introdução alimentar é importante, além de fracionar os alimentos de acordo com a idade, entender que cada criança tem seu tempo e desenvolvimento. Converse com o pediatra para entender as fases alimentares do seu bebê.

E lembre-se: a hora das refeições deve ser um momento tranquilo, as crianças devem permanecer sentadas. Não dá para brincar, correr ou andar ao mesmo tempo em que se mastiga. É preciso prestar atenção no que se está comendo e mastigar atento na deglutição. O comportamento certinho pode diminuir os riscos de ocorrer esse tipo de situação. Objetos como peças que desprendem de brinquedos, tampinhas de caneta, moedas e botões também requerem atenção dos pais o tempo todo.

No caso dos bebês, ainda há chance de engasgar com o leite materno. Para evitar o refluxo e um possível engasgo, na hora da amamentação deixe o bebê inclinado e não totalmente deitado. Mesmo depois do arroto, evite colocá-lo imediatamente em posição ereta.

O que fazer quando a criança engasga?

Para impedir as consequências mais sérias, como o caso da Nova Zelândia, agir com imediatismo quando uma criança engasga é de suma importância. Os primeiros socorros devem ser feitos no local mesmo. Por isso, sempre deve ter um responsável observando o pequeno durante as refeições.

Se a criança engasgar, é preciso manter a calma e agir. Existem os jeitos certos de fazer as manobras para desengasgar, levando em consideração a idade da criança.

Bebês menores de um ano devem ser apoiados no braço do socorrista, com a cabeça mais abaixo que o corpo, mantendo a boca do pequeno aberta. Aplique batidas com o “calcanhar” da mão nas costas da criança, na região entre as escápulas. Depois, vire o bebê com a barriga para cima, iniciando compressões no osso do peito da criança, logo abaixo da linha entre os mamilos. Repetir esse ciclo até o bebê expelir o alimento ou objeto.

Em crianças menores, o indicado é se posicionar atrás da criança, apoiar as mãos fechadas em punho entre o umbigo e a extremidade inferior do osso do peito da criança (abaixo das costelas) e realizar compressões em trancos para dentro e para cima, até que a criança consiga expelir o objeto.

Caso o quadro da criança piore, ligue imediatamente para o serviço médico especializado do 192 (Samu) ou 193 (Corpo de Bombeiros).

Os primeiros socorros devem ser feitos de maneira correta e precisa, então, os pais e responsáveis devem aprender estes passos para conseguir reagir em uma situação emergencial. Peça as instruções para os pediatras e busque informações de fontes oficiais, como no site da Sociedade de Pediatria de São Paulo.