Produtos e dicas para passar pela transição capilar com segurança

A decisão de deixar o liso pede um período de adaptação até que os cachos voltem a se formar. Aqui, um guia para você passar por essa mudança...

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A decisão de deixar o liso pede um período de adaptação até que os cachos voltem a se formar. Aqui, um guia para você passar por essa mudança com segurança

Você era cacheada. Ficou lisa. Agora, resolveu adotar os cachos outra vez. Esse é um movimento que só cresce. Celebridades como as atrizes Taís Araújo e Sheron Menezzes e a ativista Alexandra Loras são alguns exemplos (muito) bem-sucedidos.

Ter de volta um cabelo forte, saudável e poderoso se tornou um sonho para muitas adeptas do alisamento. Mas o processo não é simples – há que se preparar para enfrentar desafios, como lidar com duas texturas e tomar decisões (cortar? esperar?).

Superá-los, no entanto, vale a pena. “De 2008 para cá, desde que abri o salão, acompanhei muitas cacheadas em transição. Quando se chega ao look final, não é só a aparência que muda. A mulher começa a se expressar com muito mais confiança”, diz Ed Santana, cabeleireiro do Descabelado, em Salvador.

Do momento certo de encarar o corte às dicas para evitar a quebra e até os segredos de styling, especialistas contam o que é preciso saber para passar tranquilamente pela fase de adaptação. “Encare como uma etapa de autoconhecimento”, aconselha Wilson Eliodório, cabeleireiro do Wes, em São Paulo. “Tenha paciência e fará grandes descobertas sobre seu cabelo e até sobre si mesma.”

A seguir, os passos para tirar essa mudança de letra.

1. Escolhas

Fazer um corte radical ou administrar o crescimento? Conforme as mechas crescem, usar modelador de cachos ou escolher um produto que valorize o liso? Hidratar, nutrir ou reparar os fios?

Ao optar por voltar aos cachos naturalmente, essas são perguntas que vêm à cabeça com frequência. O mais difícil é aprender a lidar com a diferença entre as texturas: raízes superencaracoladas e comprimento totalmente liso. “Mas as questões que você deve responder, na verdade, são outras”, afirma Ed Santana.

Reflita se tem disposição e tempo para se dedicar ao styling ou se valoriza a praticidade. Se é mais conservadora ou dona de um estilo ousado, por exemplo. “É o seu perfil que vai determinar a hora certa de eliminar totalmente a parte lisa: se logo no começo do processo, com um corte curtíssimo e bem rente à cabeça, ou se no final da transição, com os fios novos já compridinhos”, explica.

Para as imediatistas, o indicado é aguardar de dois a quatro meses antes de fazer o big chop (corte radical que tira todo o comprimento alisado). Esse é o tempo mínimo necessário para as raízes começarem a ter movimento e o cabelo não ficar sem definição quando passar pela tesoura.

Quanto mais aberto o cacho, maior deve ser a espera para fazê-lo (ele demora mais para formar uma espiral completa). Quanto mais miúdo, mais rápido se torna o processo. Se o corte radical não faz o seu estilo, fique seis meses longe da tesoura e depois comece a tirar as pontas aos poucos – remova pelo menos 2 centímetros a cada dois meses. Assim, o cabelo vai ganhando novo caimento e fica mais fácil visualizar o resultado – encaracolado.

“Já passei por duas transições. Na primeira, usei apliques; na segunda, cortei curtinho para crescer ao natural. É um momento importante, em que a gente se redescobre e aprende a gostar mais de si mesma” — Taís Araújo

2017 — Atualmente, Taís exibe o cabelo todo cacheado, com definição e volume. As luzes, mais focadas nas pontas, realçam o corte.

  1. 2006 — Na novela Cobras e Lagartos, com os fios ondulados e longos.
  2. 2009 — Durante gravações da novela A Favorita, da Rede Globo, com os fios chapados e franja curta.
  3. 2013 — Quando optou pela transição, com o corte big chop, que inspirou outras cacheadas

2. Novos cuidados

“A técnica para modelar fios em transição muda conforme eles crescem”, avisa Wilson Eliodório. No início, quando grande parte deles ainda é alisada, o melhor é escovar tudo, inclusive os novos, que já são cacheados.

Depois de lavar e condicionar, passe um bálsamo ou fluido alisador temporário (com tratamento e proteção térmica) e faça uma escova tracionando mais a raiz. Se sentir necessidade, elimine o frizz utilizando uma chapinha estreita. Mas não abuse dessa tática. “Quem exagera no uso das ferramentas térmicas provoca danos à fibra e acaba estendendo o período de adaptação, pois os cachos demoram mais para se formar de um jeito saudável”, diz Ed Santana.

Quando a parte cacheada começar a ficar mais longa, inverta a estratégia: enrole comprimento e pontas. “Com um ano de transição, muitas mulheres sentem coragem de remover todo o liso. Nesse momento, a raiz cacheada ultrapassou os 10 centímetros de comprimento e já aceita um corte mais elaborado, com formato definido, camadas, franja…”

Mas atenção: ao decidir dar esse passo, procure um cabeleireiro com experiência em cachos. Um corte que não leve em conta o movimento natural pode eliminar mais centímetros do que o necessário.

Dicas ESSENCIAIS

Durante todo o processo – especialmente quando os novos fios começam a crescer –, é fundamental mudar o jeito de cuidar do cabelo, inclusive na lavagem. “Esqueça aquela história de amontoar todo o comprimento no alto e fazer massagens vigorosas”, avisa Eliodório.

Para preservar os fios – que ficam mais propensos a quebras na junção entre as partes lisa e encaracolada –, aplique xampu só no couro cabeludo, lave com movimentos delicados e limpe o comprimento apenas com a espuma que escorre do topo da cabeça.

Escolha uma fórmula que promova uma limpeza suave. “Para descobrir se o produto é adequado para seu fio, observe a textura do cabelo logo após o enxágue”, ensina Ed Santana. “Ficou macia só com o uso do xampu? OK, ele serve para você. Está áspera, implorando por condicionador? Melhor escolher outro.”

Fazer a limpeza do comprimento com um condicionador próprio para isso (os chamados co-wash) também é uma boa opção, pois essas fórmulas não contêm detergentes, pesados demais para alguns tipos de fio.

Outra dica preciosa é abusar dos tratamentos pré-lavagem, que podem ser feitos com cosméticos ou óleos naturais (de coco, de uva, de rícino, de copaíba). Eles formam uma capinha sobre os fios, protegendo-os durante a higienização. Assim, mantêm as cutículas assentadas quando o cabelo está seco, o que o torna mais resistente a quebras.

REAPRENDENDO A MODELAR

Após lavar e condicionar, prepare a parte cacheada com um creme modelador específico e aplique um mais gelatinoso na lisa. Então, com os fios molhados, passe para o processo de fitagem: separe mechas finas e vá esticando e enrolando cada uma delas com a ajuda dos dedos. Repita com todo o cabelo.

Espere secar naturalmente e finalize para dar balanço e volume: “Primeiro, encaixe a ponta dos dedos nas raízes e massageie levemente”, explica Wilson Eliodório. “Depois, divida cada mecha delicadamente com os dedos e vá deslizando e abrindo o cacho até chegar às pontas.”

Caso sobre alguma mais espigada, recorra a um babyliss fino (cerca de 12 milímetros de diâmetro). O truque, que deve ser usado com moderação, serve para dar acabamento tanto a cabelos em transição como aos que já passaram por ela.

3. Cachos de volta

Quando os fios atingirem um comprimento razoável, é hora de escolher um corte para exibir o novo estilo. Seu lema, agora, é preservar a saúde dos cachos. Abra mão de químicas pesadas, ferramentas térmicas em excesso, sol muito frequente, cloro e tudo que pode fragilizá-los com o tempo.

Lembre-se de que, quanto mais hidratados os fios, melhor sua definição. Abuse das máscaras e ampolas de tratamento. Alterne fórmulas hidratantes (com aloe vera, glicerina ou água de coco, por exemplo), nutritivas (ricas em manteigas e óleos emolientes – de coco, karité ou argan) e reparadoras (com proteínas e aminoácidos). Escolha de acordo com a necessidade.

“O importante é observar o que o cabelo está pedindo”, diz Eliodório. Se está elétrico, precisa de um choque de hidratação. A aspereza e a falta de brilho requerem máscaras e ampolas. As de reparação, por sua vez, entram em cena quando os fios estão muito fragilizados.

REFORÇO PROFISSIONAL

Os salões oferecem tratamentos poderosos para preservar a saúde dos fios. Confira abaixo nossas sugestões (e, ao lado, um arsenal para usar em casa)

  • Para reparar: Ritual Liquid Hair, Wella. Preenche as áreas danificadas da fibra capilar sem enrijecer, pois combina proteínas e óleos de tratamento (150 reais).
  • Para nutrir: Ritual Protocole Immunité, Kérastase. Inclui xampu, máscara e finalizador. Proporciona maciez, brilho e balanço (250 reais).
  • Para fortalecer: Ritual Renew Dermoabrasão Therapy, Nioxin. Composto de peeling para o couro cabeludo e máscara reparadora (300 reais).

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